. Obesidade: a epidemia do ...
Notícia:
"De acordo com a OMS, o excesso de peso (índice de massa corporal — razão entre o peso e o quadrado da altura — igual ou superior a 25) e a obesidade (índice de massa corporal igual ou superior a 30) contribuem para o desencadear de um vasto conjunto de doenças.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o aumento do número de pessoas obesas está dramaticamente a aumentar, assumindo particular importância nas crianças e grupos menos favorecidos. Não se trata apenas de um problema de carácter individual mas que resulta de um conjunto de mudanças rápidas que se têm verificado na sociedade.
Embora estando fundamentalmente associado a uma alimentação não saudável e a uma actividade física reduzida, a abordagem deste fenómeno, porque também ligado ao desenvolvimento económico e social e a políticas de educação, agricultura, transporte, ambiente, planeamento urbano, indústria, marketing e distribuição de alimentos, deverá considerar globalmente, para além do comportamento individual/familiar, todos estes sectores.
Ainda de acordo com a OMS, o excesso de peso (índice de massa corporal — razão entre o peso e o quadrado da altura — igual ou superior a 25) e a obesidade (índice de massa corporal igual ou superior a 30) contribuem para o desencadear de um vasto conjunto de doenças, para o aumento dos gastos na saúde (7% em alguns países), afectando a qualidade e a esperança de vida, e provocando em cada ano cerca de um milhão de mortes na região europeia da OMS.
Entre as doenças que o excesso de peso ou a obesidade podem provocar estão a diabetes não insulinodependente (tipo 2), as doenças cardiovasculares (principal causa de morte em Portugal), vesiculares, osteoarticulares, dislipidémias, hipertensão e certos tipos de cancro (endométrio, cervical, ovário, mama, próstata, cólon e recto, vesícula, pâncreas, fígado e rins), além de problemas de natureza psicológica.
Trata-se, pois, de um dos mais importantes e alarmantes problemas de saúde pública da actualidade que urge combater e, principalmente, evitar. A sua prevalência triplicou na Europa nas últimas duas décadas e a OMS calcula que, em 2010, cerca de 20% dos adultos e 10% das crianças e adolescentes serão obesos (IMC =ou>30)!
E não pensemos que se trata de um problema de outras sociedades. Segundo um estudo recentemente realizado na RAM na população infantil em idade escolar (cujas principais conclusões divulgámos neste espaço, em 30 de Julho de 2006) 33,03% das 224 crianças (dos 6 aos 12 anos) estudadas pelas enfermeiras autoras do trabalho tinham excesso de peso ou obesidade.
Estes resultados, embora não generalizáveis, verificam-se, infelizmente, superiores aos da média da região europeia da OMS para este grupo etário.
Como referimos, quer o plano nacional de saúde, quer o regional contemplam actividades de prevenção e combate a este fenómeno. Todavia, sentimos que algo mais haverá a fazer, sobretudo no que se refere à integração das medidas multissectoriais e interdisciplinares requeridas, assim como, no que diz respeito à investigação, esta não deverá ser realizada apenas na obesidade como entidade patológica mas, igualmente, nas circunstâncias da pessoa que a vive e nos chamados “ambientes obesogénicos”, tão característicos das sociedades modernas.
Aliás, a investigação na saúde tem sido um parente pobre do nosso País e Região, que não obstante a mais-valia da motivação, experiência e conhecimento há muito desenvolvidos pelos profissionais, os nossos serviços de saúde nem sempre os aproveitam na sua justa medida."
Jornal da Madeira, 22 de Outubro de 2006