. O QUE SÃO DOENÇAS INFECCI...
A obesidade,nediez ou pimelose (tecnicamente, do grego pimelē = gordura e ose = processo mórbido) é uma doença caracterizada pela acumulação excessiva de gordura e afecta ambos os sexos, todas as faixas etárias e todas as etnias. Esta acumulação resulta de um desequilíbrio energético, em que a quantidade de energia ingerida é superior à dispendida.
Uma dieta hiper calórica, com excesso de gorduras, hidratos de carbono e álcool, aliada a uma vida sedentária, constituem os alicerces desta epidemia. Como principais consequências podemos apontar a redução da qualidade e da esperança média de vida.
De etiologia poligénica e multifactorial, a obesidade é uma doença de difícil controlo. Factores genéticos e endócrinos são responsáveis apenas por uma percentagem mínima das obesidades. Dos factores desencadeantes, é sobre aqueles que são modificáveis, como por exemplo a alimentação, o nível de actividade física e a terapêutica farmacológica, que se devem centrar as estratégias de prevenção e tratamento.
O diagnóstico de obesidade na população adulta é feito quando o Índice de Massa Corporal – IMC = Peso (kg) / Altura2 (m) - é igual ou superior a 30 (Ver Quadro I). Na população infantil, a obesidade é diagnosticada quando o valor do IMC é superior ao percentil 95, ajustado à idade e sexo.
As complicações associadas a esta doença são múltiplas.
A obesidade mórbida está associada a graves efermidades como a hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares, alterações tromboembólicas, refluxo gastro-esofágico, doenças articulares, além de diversas formas de cancro (mãma, útero, vesícula biliar, etc.), dentre outras, causando um risco de morte 12 vezes maior que o indivíduo sem excesso de peso em 7 anos. A taxa de mortalidade de mulheres com 50 % além do peso, por exemplo, é o dobro das mulheres com peso normal; subindo para oito vezes se houver diabetes associado.
Em pessoas com obesidade severa, o risco de apresentar diabetes está aumentado cerca de 53 vezes, o do cancro do endométrio 5,4 vezes. Mais ainda, quando o indivíduo atinge os 200Kg, a chance dele viver mais sete anos é de apenas 50 %. Um outro facto dramático que ilustra a gravidade da obesidade e que mostra a baixa expectativa de vida deste grupo de doentes é ilustrado ao se avaliar os indivíduos que entraram para o Guiness Book (O livro dos recordes), onde nenhuma das pessoas consideradas as mais pesadas ultrapassou os 40 anos de idade. Para piorar, o grande obeso tem a sua doença “estampada na cara” para que todos o vejam, o julguem e o discriminem. Não bastassem as doenças que trazem consigo, não bastasse ter dificuldade em realizar os mais comuns dos atos cotidianos, essas pessoas são discriminadas e humilhadas pela pior de todas as doenças, o preconceito.
No que se refere ao tratamento, este passa por alterações permanentes dos hábitos alimentares e do estilo de vida.
A utilização de fármacos no tratamento poderá constituir uma opção nos casos em que as modificações propostas quanto à alimentação e estilo de vida se revelarem infrutíferas.
A perda de peso, mantida a longo prazo, é fundamental. São inúmeros os benefícios que acarreta para a saúde em geral e para a melhoria da qualidade de vida. Estudos revelam que pequenas perdas de peso (diminuição de 5 a 10% do peso inicial) se traduzem numa melhoria do controlo glicémico, reduzem a pressão arterial e melhoram o perfil lípidico em doentes de risco.
No sentido de reverter esta epidemia devem ser desenvolvidos todos os esforços relativamente à promoção de hábitos alimentares e estilos de vida saudável, sobretudo junto da população infanto-juvenil.
No combate à obesidade exige-se actualmente uma abordagem transversal e integrada, envolvendo não só os profissionais de saúde mas também a família, a escola, a sociedade civil, a agricultura, o comércio, a indústria e os meios de comunicação social.
Doenças reemergentes são aquelas devidas ao reaparecimento ou, aumento do número de infecções por uma doença já conhecida, mas que, por ter causado tão poucas infecções, já não era considerada um problema de saúde pública.
CÓLERA: A cólera reapareceu em países onde já havia previamente desaparecido à medida em que as condições de saneamento e alimentação se deterioraram. Em 1991, na América do Sul, mais de 390 mil casos foram notificados, sendo que por um século não se registavam casos de cólera.
DENGUE: A dengue espalhou-se por vários países do sudeste asiático desde a década de 50 e reemergiu na América na década de 90, como consequência da deterioração do controlo ao mosquito e a disseminação do vector nas áreas urbanas.
DIFTERIA: Reemergiu na Federação Russa e algumas outras repúblicas da antiga União Soviética em 1994 e culminou em 1995 com mais de 50.000 casos relatados. A reemergência está associada a um declínio dramático nos programas de imunização seguidos de uma “falência” nos serviços de saúde que se iniciou com o fim da URSS.
FEBRE RIFT VALLEY(RVF) : Doença caracterizada por febre e mialgia, mas em alguns casos progride para retinite, encefalite ou hemorragia. Seguindo uma anormal temporada chuvosa no Kenya e na Somália no fim de 1997 e início de 1998, RVF ocorreu em vastas áreas , causando febre hemorrágica e morte pela população humana. O severo grau desta doença deve-se a muitos factores, incluindo condições climáticas, má nutrição e possivelmente, outras infecções.
FEBRE AMARELA: Exemplo de doença para a qual há várias vacinas mas, devido ao uso não generalizado para todas as áreas de risco, epidemias continuam a ocorrer. A ameaça da febre amarela está presente em 33 países africanos e 8 sul americanos. É comum em florestas tropicais onde o vírus sobrevive em macacos. As pessoas levam vírus para os vilarejos e a simples presença de um vector espalha rapidamente a doença, que mata facilmente pessoas imuno-suprimidas.
TUBERCULOSE: A tuberculose comporta-se como uma doença reemergente devido ao aumento gradativo de casos no passar dos últimos anos. Isto dá-se devido ao processo de selecção responsável pela existência de cepas altamente resistentes a antibióticos. Além disso, o HIV contribui largamente para a manifestação da doença.
CAUSAS COMUNS DE EMERGÊNCIA E RE-EMERGÊNCIA DE DOENÇAS INFECCIOSAS:
- Crescente número de pessoa a viver e deslocar-se pelo mundo; - Rápidas e intensas viagens internacionais; - Superpopulação em cidades com precárias condições sanitárias; - Aumento da exposição humana a vectores e reservas naturais; - Alterações ambientais e mudanças climáticas.